terça-feira, 24 de novembro de 2015

CUCKOLD: O ESTILO DE VIDA VS O FETICHISMO EVENTUAL

E aí pessoal! Estava devendo o artigo sobre iniciação para a cornitude, conversando com amigo Júpiter vi que ele levou à sério a coisa e fez um enorme tratado sobre os assunto, e estamos dividindo em etapas pra poder postar tudo sem cansar no blog! Segue a baixo a primeira parte desse ótimo texto do nosso amigo. Quem quiser contato pode mandar e-mail pro blog: blogsonhodemanso@gmail.co

Ulisses


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CUCKOLD FETISH: O ESTILO DE VIDA VS O FETICHISMO EVENTUAL
(Por Dom Júpiter)
Primeiro, o que seria fetichismo casual? 

Pois bem, sabe aquela coisa que temos vontade de fazer, e ao fazermos, a vontade é saciada? Ou que depois do orgasmo, paramos até para pensar se era aquilo mesmo que tínhamos vontade? Ou uma experiência que temos por objetivo ter ao menos uma única vez para perdermos a curiosidade? Então,
é isso. E acredite, se não tivermos, ela pode permanecer um pensamento recorrente em nossas mentes até o fim de nossas vidas. Por isso é importante enfrentarmos nossas fantasias de alguma forma, seja vivenciando a experiência, seja refletindo sobre sua aplicabilidade e importância em nossa vida – se estivermos, claro, falando de sexualidade e práticas lícitas – para nossa realização. Vez por outra, o desejo eventual pode retornar, mas não ocupa uma importância tão grande em nossas vidas, ao ponto de gerar um planejamento ou ajuste de nossas rotinas à esta prática. Exemplos?

Não raro, mulheres de comportamento absolutamente convencional têm desejo de uma mudança de rotina sexual, seja utilizando algum “brinquedo”, ou fazer sexo em algum lugar específico. Ou mesmo, um homem heterossexual, sem qualquer interesse homoafetivo, se interessa em ser penetrado por outro homem (apesar das piadinhas homofóbicas em torno do tema, geralmente feitas por quem mais recalca este tipo de curiosidade). No BDSM, minha experiência mais vocacionada, é comum sermos procurados por pessoas de todas as orientações com desejo de uma experiência de Dominação ou Sadismo, e logo depois de experimentar, abandonam a prática. 

E acho que cabe agora dizer, frequentemente encontra-se homens que se excitam ao imaginarem suas parceiras sendo cortejadas, tocadas ou até mesmo possuídas por outro homem. Quando meramente um fetiche casual, este interesse costuma passar logo após seus orgasmos, dando lugar, algumas vezes, a um sentimento de culpa, ou até mesmo de arrependimento, seja ao simplesmente imaginar, ou até mesmo ao realizar o fetiche na prática. Já entre as mulheres, o mais comum, embora não seja a totalidade, é a entrega à experiência ou fantasia por indução de seus parceiros, ao notarem o grau de excitação que a fantasia provoca em seus parceiros. Influenciadas pela sensação, as mulheres podem ser levadas ao ato, e até sentirem prazer. Mas é comum também, ao perceberem o arrependimento, ciúme posterior ou desagrado do parceiro, sofrem até mesmo pequenos traumas. Eis o risco de levar à prática real fantasias pouco refletidas, ou de forma imatura. Entretanto, a fantasia eventual pode, por que não, conduzir à porta de entrada de uma realização mútua.

E Estilo De Vida Fetichista, o que seria?
 
Aí a coisa muda. Quando falamos de pessoas já experientes na prática, ou que no mínimo possuem base psicoemocional para lidarem com a adesão ou rejeição da experiência sem consequências negativas íntimas ou para o relacionamento, estamos diante da realização. O Estilo de Vida de um fetiche, muito comum no BDSM (pessoas adeptas de Bondage, Disciplina, Dominação/submissão, Sadismo/masoquismo), e noto, também na Sexualidade Liberal (Casais adeptos de Swing, Ménage, etc...).

Temos aí, também, o estilo de vida Cuckold (parceiros permissivos que permitem e apreciam a liberação sexual de suas parceiras). O Fetichismo cuckold é bastante visto nos demais meios fetichistas, mas eu diria que tem potencial de autonomia plena. Flerta com a liberalidade dos adeptos de swing e ménage, e é bastante presente no BDSM através das práticas Femdom (Mulheres Dominantes de seus parceiros), que associam práticas de diferentes níveis de dominação, sadismo e humilhações eróticas com seus parceiros “mansos”. O blog do Ulisses, pelo que noto, flerta com todos os níveis, em diferentes abordagens.

No Estilo de Vida Cuckold existem todos os fenômenos ocorrentes em qualquer tipo de relação. Entretanto, se difere pela constância da prática, e em diferentes níveis, um certo grau de adaptação das vidas dos praticantes à prática fetichista. Minha experiência aponta que são relações de relativa solidez, e que representam uma expressiva parcela dos casais estáveis e famílias bem estruturadas. Digo isso por perceber através de levantamentos e estudos que uma grande parte dos relacionamentos desfeitos e famílias desmontadas têm por motivação a instabilidade satisfativa dos homens da relação, talvez devido a essa constituição machista de nossa sociedade ainda em transformação. Já os casais adeptos, há uma espécie de estabilização dos instintos do homem, que se torna aparentemente mais garantidor da relação, na medida em que anula a competitividade com outros machos, se tornando “cooperativo”. Mas isso é tema para um artigo específico, voltado apenas para isso.

E os Curiosos, como ficam?
 
A curiosidade é bastante importante para o primeiro passo. E a grande maioria dos frequentadores de
blogs como este, e outros semelhantes, são na verdade curiosos, pessoas em busca de estímulo para uma boa masturbação. E desta curiosidade, pode nascer o fetiche eventual, e dali, o interesse pela experiência que leve, quem sabe, a um estilo de vida. Ser curioso não é crime, nem um problema! Mas não podemos confundir as coisas, pois muitos curiosos mentem e se fazem passar por praticantes “lifestyle” (que levam este estilo de vida fetichista), pela oportunidade de terem uma experiência real. Neste caso, todos podem sair frustrados. O ideal é sempre usar de paciência e bom senso, especialmente em era de internet lotada de todos os tipos de boas e más intenções.
Não há dúvidas que praticantes com, por exemplo, o Ulisses, são legítimos praticantes experientes com larga experiência de vida, e podem até mesmo auxiliar e dar balizamento para casais e pessoas iniciantes nesta caminhada liberal.

Cuidados especiais, quais são recomendados?
 
Os cuidados parecem simples, mas não são. Consistem em basicamente trabalhar três aspectos:
- Entender seu nível de fetichismo: Reflita se você quer apenas se saciar agora, se quer isso para a sua vida, ou se está apenas curioso. Envolva-se com as pessoas sabendo o que querem também.
- Controle da Privacidade: Não exponha dados pessoais, fotos, endereço e outras pessoas, de forma a ficar frágil nas mãos de estranhos. O descuido pode gerar chantagens e exposições mais tarde.
- Controle de danos à relação: Conversem e tenham certeza de que estão maduros para lidarem com uma possível rejeição da experiência por ambos, ou por uma das partes. Tenham planos A, B, C, e se possível, D, para o caso de as coisas não darem certo, ou saírem diferentes do que esperam. Discutam as possibilidades. Se der errado, riam disso, encarem como experiência e brincadeira. Se der certo, cuidado com diferentes níveis de “empolgação” entre as partes. Controlem a ansiedade, e deixem as coisas acontecerem aos poucos. Muitas relações terminam por falta de sensibilidade de uma das partes. Prefiram pessoas realmente experientes, sem subestimar iniciantes. Prezem caráter e indicação de pessoas mais experientes. Estejam seguros sempre, camisinha, local seguro, e nunca viagem atrás de pessoas estranhas.


Esta é a primeira parte de um texto mais complexo que fiz a pedido de Ulisses, com base nas experiências que vivi com casais e pessoas do meio liberal, e que sigo percebendo no meio BDSM e Fetichista. Críticas, perguntas e comentários, serão bem-vindos por e-mail.
Dom Júpiter – RS
Contato: bdsm@domjupiter.com
 

9 comentários:

  1. No meu caso,foi minha esposa quem aos poucos foi me fazendo conhecer a postura cuckold e com o passar do tempo,curtir a idéia de ser um corno manso.Era algo que eu jamais imaginei nem quis prá mim,algo impensável,até.O que eu jamais poderia supor era que,esse estilo de vida já estava no sangue,na doutrina de vida da minha esposa.Minha sogra tinha um comedor fixo,que foi quem tirou os cabaços da minha hoje esposa.
    Eu sempre fui louco pela minha mulher,desde antes da gente começar a namorar e quando isso aconteceu,ela sabia que me teria aos seus pés devido a minha paixão e soube me conquistar.
    O primeiro passo foi me fazer "engolir" o ciúme,aceitar com naturalidade ela me falar de outros homens ou paquerar discretamente com eles na minha presença.
    Emfim,não foi um caminho fácil,principalemente prá mim.E depois de alguns anos,algumas rusgar e reconciliações hoje só não aceito como vivo intensa e totalmente a condição de vida cuckold.
    Claro,em função da idade,eu e minha esposa temosmuito o que viver e aprender.

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  2. Boa! Esperando a segunda parte

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  3. Dom Jupiter,
    Parabéns pelo texto.
    Sou casada pela segunda vez, mas mantenho um caso paralelo com meu chefe, desde o primeiro casamento.
    Meu Chefe sempre me disse que o meu ex era louco para ser corno manso, que sentiria muito tesão se um dia me visse com outro.
    Naquela época eu achava loucura do meu Chefe, mas hoje, olhando para trás, vejo que, provavelmente, ele tinha razão.
    Uma pena meu ex nunca ter assumido essa vontade, pois isso traria um tempero que faltou no casamento.
    Beijos,
    Delicinha do Chefe

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  4. tivemos uma experiência ótima com Don JONAS um homem sensacional, s´´o que BDSM dele requer um prazo par descanso , pois a minha esposa saiu depois de fim semana em sua masmorra toda marcada, ainda bem que foi no período de ferias deu tempo para sumirem.
    MAS ELA QUER DE NOVO AGORA EM JANEIRO JÁ MARCAMOS COM ELE!

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  5. Eu sempre quis experimentar. Mas o grande medo é: E se ela gostar e não quiser parar?

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    1. Tenho uma notícia para você que não sei se é boa ou má: se ela fizer sem ser forçada só para te agradar, pode ter certeza que ela vai gostar e nunca mais vai querer parar. É por isso que tem que ser muito bem pensado, muito bem conversado para os dois saberem onde estão se metendo (literalmente) para depois não ter cobranças injustas, culpa, ciumes, etc porque isso invariavelmente vai acabar com o relacionamento ao invés de torná-lo melhor, que é o que se deseja...

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  6. Tenho muita vontade experimentar . Após pensar muito e durante muito tempo , levei o assunto a minha esposa e , ela sempre tem demonstrado que não é a praia dela . Já dialoguei por varias vezes e sempre deixei a porta aberta para ela começar por onde ela quiser , mesmo que pra que isto aconteça , deixei que ela viaje sozinha , faça como quiser sem a minha presença , mais ela é irredutível no assunto . Não sei se para minha alegria ou tristeza , acredito que apesar de me considerar cookold ou corno como prefiram dizer , esse prazer não vou ter .BH MM

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    1. Muita calma e paciência. Comigo, por exemplo, levou 12 anos para ela aceitar. Agora não fica sem um pau diferente. É exatamente como eu li em vários textos a respeito: primeiramente ela acha que voce não gosta dela, que está testando ela, que está arrumando desculpa para arrumar outras mulheres, enfim, enquanto ela não se sentir completamente segura de que isso é uma fantasia para apimentar a relação e que o casamento, a família, o amor por ela, a confiança, etc não estiver completamente firme e enraizado ela não vai topar. Quando isso acontecer, vai tudo fluir naturalmente. Assim como foi comigo, depois de que já ter até esquecido ela chega e diz que tem um cara em vista e se é realmente isso que eu queria. Reafirmei tudo que ela significava para mim e do que se tratava a fantasia. Depois disso, vários chifres. Pena que ela arrumou um comedor fixo "meio fraco" que se apaixonou por ela, fica na cola dela mais que eu, morre de ciúmes dela e de jeito nenhum topou transar a três como eu queria. Não de pode ter tudo.

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